De acordo com alguns cientistas americanos, o acesso permanente ao Google influencia a maneira como as pessoas armazenam a informação.

Antes, a facilidade para memorizar números de telefone ou datas importantes era maior. Segundo um trabalho publicado na revista “Science”, agora, devido ao uso do Google as pessoas tornam-se mais “preguiçosas” na altura de memorizar informação.

Neste trabalho estiveram envolvidos cerca de 200 participantes, a quem foram feitos testes de pergunta-resposta para memorização.

Deste modo, conseguiu provar-se que quando os voluntários acreditavam que posteriormente não teriam acesso aos dados, memorizavam muito mais informação do que aqueles que pensavam que depois a podiam consultar. Essa diferença na memorização mantinha-se mesmo quando os participantes eram avisados de que seriam questionados sobre o conteúdo.

De acordo com o estudo da revista “Science”, ao depararem-se com uma pergunta, os participantes pensavam imediatamente em motores de busca para saber a resposta, em vez de tentarem puxar pela memória.

Outro dos padrões de comportamento indicados no estudo é que as pessoas não se lembram de como obtiveram certas informações. No entanto, tendem a recordar-se de onde encontraram os dados que precisam quando não são capazes de se lembrar exactamente das informações.

Betsy Sparrow, responsável pelo estudo e professora da Universidade Colúmbia, afirma que “as mudanças não são necessariamente más, tendo em conta que a memória está a adaptar-se a uma nova realidade”.

Anúncios

Um novo estudo confirmou o que provavelmente não era surpresa para os amantes da tecnologia: que a internet afecta nossa memória.

Quantos números de telefone você sabe de cor? Talvez antes da invenção do celular você soubesse alguns, mas agora mal sabe o seu, não é mesmo? É um fenómeno comum: as informações hoje são mais fáceis de acessar e são armazenadas por nós em outros lugares, em geral tecnologias, assim nossos cérebros não são obrigados a guardá-las por conta própria.

O novo estudo psicológico confirmou cientificamente esse fenómeno. A pesquisa, liderada pela professora de psicologia Betsy Sparrow, definiu se as pessoas seriam mais ou menos propensas a recordar algo que sabiam que poderiam encontrar em um computador.

Quatro experimentos foram encenados. Em um deles, os participantes digitaram 40 fatos em um computador. Metade deles ouviu que essas informações seriam salvas, enquanto a outra metade ficou sabendo que elas seriam apagadas.

Como os pesquisadores esperavam, a metade que sabia que as informações seriam apagadas foi significativamente mais propensa a lembrar delas do que o grupo que sabia que estariam salvas.

Em outro experimento, os participantes foram convidados a relembrar não só os fatos, mas cinco pastas de cores diferentes que estavam em algum local no desktop de um computador.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas eram capazes de recordar as pastas muito facilmente. Nessa experiência, foi explorado um conceito conhecido como “memória transaccional”, uma teoria relativamente recente que propõe que os grupos codificam, armazenam e recuperam o conhecimento colectivamente.

Para entender mais fácil, os cientistas explicam desta forma: imagine que você ame futebol. Mas você sabe que seu namorado sabe tudo sobre as regras, então, quando você quer saber algo, você pergunta para ele, e não se preocupa em lembrar da informação.

CONCLUSÃO

Atualmente, uma em cada três pessoas se sente “oprimida” pela tecnologia. É o que afirma um estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que fez uma pesquisa dividida por idade e região com oito meses de duração.

Os adultos britânicos, em geral, afirmaram que consideram como positiva a existência de dispositivos móveis e redes sociais. O que incomoda, no entanto, é a presença constante de tanta tecnologia na rotina dos jovens. Entre os pesquisados de 10 a 14 anos, 38% afirmaram que o excesso de tecnologia pode prejudicá-los, taxa que foi de 34% entre pessoas de 25 a 34 anos.

Entre os adultos, 65% dizem que ainda preferem se comunicar pessoalmente a falar através de alguma mídia. Esperava-se que essa taxa fosse muito menor entre crianças e adolescentes, mas aí veio a surpresa: 64% dos jovens também pensam assim. Outra surpresa está na consequência dessa preferência. Aqueles que se declararam sufocados pela tecnologia tendem a ser frustrados em outros setores da vida, enquanto os que se sentem bem com tantos aparelhos revelam estar mais confiantes e satisfeitos a respeito da própria vida.

A técnica para se adaptar bem à tecnologia, segundo um dos autores da pesquisa, é discutir com as famílias e entender o uso de cada mídia em casa. A quantidade de tempo que cada um passa em frente ao computador, por exemplo, não importa. Se o indivíduo tem consciência de como e porque usa a tecnologia, saberá julgar a quantia saudável de uso para si mesmo